Mesmo
ainda sendo um garoto aos sete anos, já se fazia um questionador
sobre a mata, os bichos, o trabalho cotidiano e tudo aquilo que o cercava.
Nesse mesmo ano fora para a escola à qual ficava uns 6.000 metros
de distância
de sua casa, essa era sua obrigação de todas as manhãs,
até ser mandado aos doze anos para o colégio Atheneu Mineiro,
em Juiz de Fora.
Apesar das habilidades com a fala e com a escrita e a esperteza que aprendera
naquele lugarejo, ficou assustado ao chegar em Juiz de Fora:
...Aos doze anos fui para o colégio Atheneu Mineiro, em Juiz de Fora,
aonde cheguei ao anoitecer. Fiquei assombrado ao atravessar um monte de ruas
iluminadas e mais assombrado ainda quando me vi sozinho no casarão
do colégio.
O jovem Belmiro Braga mal tinha se acostumado com as ruas iluminadas,
e com o grande casarão, quando veio a notícia do falecimento de sua
mãe no dia 19 de outubro de 1883.A mando do pai após a missa
de 7º dia trocou o banco da escola pelo balcão da venda.
E mesmo, distante do colégio não deixava de ler ou escrever
alguma coisa nas horas de folga, este seu grande prazer.
Belmiro Braga saiu de casa sem o conhecimento de ninguém, seu pai só ficara
sabendo o motivo de sua saída através de uma carta, enviada três
meses após sua partida.O pai acatou a decisão do filho, o encorajando
a seguir a sua vida, mas, sempre com honestidade.
Da Vida Aventureira Para a Descoberta do Poeta
Neste tempo Belmiro Braga já escrevia artigos no jornal de Juiz
de Fora O Farol, chegando até escrever um livro de versos-Rosa e
Liros. Sua vida aventureira vai traçando muitos caminhos, onde é rica
em peripécias-dorme em esteira dura, muitas das vezes trabalha
sem remuneração,
mas, a recompensa vem pelas boas amizades que fez, nas inúmeras
cidades de Minas Gerais por onde passou como, Muriaé, Tombos,
Carangola entre outras.
Em Carangola a sete de fevereiro de 1891, casa-se com a filha de um
advogado local, a senhorita Ottilia Portilho, com a qual teve três filhos, dois
mortos na infância, sendo que o primeiro teve o nome do bisavô em
homenagem feita pelo pai e o terceiro José Epitácio que herdou
a verve poética do pai, não deixou nada publicado.


Até então
Belmiro Braga tinha passado desapercebido pelos versos que redigia
deste a infância. Tal segredo só foi descoberto aos
vinte nove anos, quando conheceu o poeta Cearense Antônio Salles,
que o incentivou a publicar seu primeiro livro.
Este
foi impresso no Porto, em Portugal, em 1902.Cujo título
Montesinas foi dado pelo poeta, amigo e padrinho.
Em 1895 Belmiro Braga volta a Juiz de Fora, e em 15 de dezembro daquele
ano começa
a publicar no correio de Minas a seção em versos - “Bimbalhadas”,
posteriormente “Repiques”, sob o pseudônimo de Sá Cristão.
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